O jeito certo de programar com IA (que mudou 2 vezes em 6 meses)
Do autocomplete ao loop que roda sozinho de madrugada: o mapa das 5 escolas de programar com IA, e a prova de que nem os criadores do Rails e do Redis sabem qual é a certa.
🤡 Os gênios trocaram de lado. E você aí achando que o errado é você
Complemento do vídeo 👉 Claude Code: os gênios trocaram de lado. Em 6 meses.. No vídeo eu conto a treta com resenha. Aqui embaixo tá tudo com fonte, link por link, pra você conferir cada afirmação e sair com a lista de leitura da semana.
Deixa eu adivinhar uma coisa sobre você.
Você abre o Claude Code, o Cursor, seja lá o que for, e no fundo bate aquela vozinha fdp:
“Será que eu tô fazendo isso do jeito errado?”
Aí você entra no X e vê um mano jurando que o certo é só usar autocomplete. Rola mais um pouco e tem outro dizendo pra largar tudo pro agente. Mais embaixo, um terceiro mandando NÃO usar agente nenhum. E ainda tem o maluco que bota a IA rodando sozinha de madrugada, queimando dólar de API enquanto dorme. 🔥💸
E você no meio disso tudo, achando que tá ficando burro, gastando token à toa, e, presta atenção nessa, trabalhando MAIS, não menos.
Calma paizão…
🧠 Não é você. Não existe consenso. E os dois maiores caras que diziam “faça na unha, não terceirize seu cérebro” trocaram de lado nos últimos seis meses.
Vou te provar com links.
🎚️ Primeiro, o botão de volume
Antes de sentar o pau (lá ele/ai dentu) em cada escola, deixa eu organizar esta parada na tua cabeça, pra vc não ficar maluco…
Quem me ajudou a organizar foi o Andrej Karpathy, ele mesmo aquele arrombado que inventou o termo “vibe coding”.
Ele fala de uma parada chamada autonomy slider. Pensa no controle de volume do rádio do carro. 🎛️ Só que em vez de volume, é o tanto de rédea que você solta pra IA:
🔉 Abaixa tudo: ela cochicha uma sugestão e quem faz é você.
🔊 Aumenta no talo: você fala o que quer, vira as costas, e a máquina se vira sozinha.
A sacada é essa: toda escola que eu vou te mostrar é só um ponto nesse volume. Ninguém é dono da verdade, cada um escolheu um lugar pra deixar o botão.
[ihh… calma, não fala lá ele ainda]
Só que o Karpathy soltou uma frase, lá na Sequoia, que é a coisa mais braba desse texto inteiro:
💬 “Você até consegue terceirizar o seu pensamento. Agora o seu entendimento, esse não dá pra passar pra frente.”
Grava isso.
Não importa a escola que você seguir, entender o que tá rolando ali continua sendo problema TEU.
Quem esquece disso vira refém. E você vai ver dev virando refém dos dois lados desse botão. 📎 (A palestra tá aqui, vale o play: Karpathy na Sequoia, 2026.)
Agora bora abrir as cinco escolas, da mais de boa pra mais hardcore. 🥊
1️⃣ Escola do autocomplete: a IA sugere, você dirige
A primeira é a mais tranquila: a IA sugere, você dirige. Fim.
Isso é o Cursor Tab, é o GitHub Copilot, que, aliás, o nome já entrega a filosofia. Co-pilot. Copiloto. O próprio GitHub bate na tecla de que “você é o piloto”.
A máquina senta do lado, aponta o caminho, mas a mão na manivela é sua.
Por que essa galera defende isso?
Porque LLM alucina, mano, inventa função que não existe com a maior cara de pau. Então o humano fica no volante, revisando cada sugestão, e nunca aceita nada que não leu.
É a escola do dev que ainda tem calo. Não tem glamour nisso, ninguém fica rico vendendo curso disso.
Apesar de eu ter falado com o Akita que trabalhava assim e ele me disse que eu estavam em 2023 mas é quem menos toma susto no fim do mês.
Agora segura essa ideia com suas 2 mãos “menos susto”, porque na próxima escola tem gente tomando susto de centena de dólar. 😅
2️⃣ Escola do agente: delega tudo e vira babá
O oposto. Você para de digitar e vira tipo um tech lead de um estagiário que trabalha na velocidade da luz e não te enche o saco com perguntas chatas antes de pesquisar qualquer coisa.
Aqui mora a galera do Claude Code, do terminal agêntico illuminatti.
O Thorsten Ball, que constrói um agente chamado Amp, fala numa boa que o agente escreve uns 70, 80% do código que ele commita, que quase não escreve mais na mão.
O Steve Yegge, lenda viva, lançou um livro dizendo que o trabalho novo do dev vai ser pouco código e MUITA babá de agente.
E tem a versão adulta pagadora de conta disso, o spec-driven: em vez de prompt solto, você escreve uma especificação bem feita e o agente constrói a partir dela.
O Sean Grove, da OpenAI, resume assim:
“A especificação é o artefato valioso, o código é só uma projeção dela. O documento importa mais que o código.”
E é aqui que a história fica boa. Porque foi nessa escola que os dois gênios pousaram, depois de jurarem de pés juntos que nunca fariam isso. 👀
🔄 A defecção (a parte que dói)
Primeiro: o DHH. O criador do Ruby on Rails. O mano que rodou boa parte da minha carreira. Em 2025, ele falava assim sobre usar IA pra codar: que conseguia literalmente sentir a competência escorrendo pra fora dos dedos. Comparava com aprender violão, você aprende com os dedos, não vendo vídeo. Anti-agente raiz.
Seis meses depois? Virou agent-first em tudo. Hoje o DHH começa toda tarefa jogando pro agente autônomo, diz que digitar na mão “agora é tedioso”, e compara usar agente a vestir uma armadura de mech.
O mesmo cara. Seis meses.
Mas pera… que o segundo é ainda mais brabo.
O Antirez. O criador do Redis, esse mano aí de cima com skin de pai de divorciado, é um dos programadores mais respeitados vivos.
Em 2025 ele escreveu um post que virou a bíblia dos anti-agente: escreve o código na mão, o agente deixa a base frágil e inchada.
Adivinha. Começo de 2026, ele volta e escreve, com todas as letras, que pular a IA não vai ajudar você nem a sua carreira. Passou a usar Claude Code de forma agêntica e batizou de “automatic programming”. Os dois maiores nomes anti-agente do planeta jambrolaram a própria posição.
E é aí que eu te pergunto:
❓ Se o criador do Rails e o criador do Redis não conseguem segurar uma opinião por doze meses… por que raios você tá aí achando que VOCÊ é o errado??
Guarda o nome do antirez. Porque a escola seguinte é a que ele abandonou, mas ele levou um princípio no bolso, e esse princípio é o coração de tudo. 🔑
3️⃣ Escola do “na unha”: a que fugiu 🏃
Papo reto, sendo bem honesto contigo essa é a escola mais coerente da história, e é justamente a que tá sendo abandonada.
O argumento vem de um cara chamado Peter Naur, num documento de 1985. Quarenta anos atrás.
O nome é “Programming as Theory Building”, programar como construção de teoria. E a tese é uma soco na barriga:
🧩 Um programa não é o código. O código é resíduo. O que vale é a teoria, o modelo mental de POR QUE aquele sistema funciona, e isso só existe na cabeça de quem construiu.
Sentiu o golpe? O agente cospe código, mas nunca fez o trabalho, então nunca teve a teoria. E se ele faz tudo, VOCÊ também não constrói essa teoria. Aí o sistema quebra três da manhã e não tem IA que salve, porque ninguém, nem você, entende aquilo.
Tem um nome moderno pra isso, do Addy Osmani, do Google: dívida de compreensão, a conta que não faz barulho na hora, mas chega.
Só que os donos dessa escola fugiram.
Sobrou o apenas Naur, que morreu em 2016 e não pode trocar de lado.
Mas (e é por isso que mandei guardar o nome dele) o Antirez, quando virou a casaca, levou um princípio no bolso. Ele separa duas coisas:
✅ “automatic programming”: usar o agente com direção e com crivo de qualidade, onde ele crava que o código que gera desse jeito é DELE.
❌ vibe coding: aceitar o que a máquina cospe no chão, sem pensar.
Tradução: pode usar o agente. Mas a teoria tem que continuar entrando na TUA cabeça.
Senão você não é dev, você é um rato que aperta botão esperando recompensa.
4️⃣ Escola do loop: o extremo 🌀
A ponta mais radical do slider. O loop.
Tem um cara, o Geoffrey Huntley, que criou um método e batizou de (não é zoeira) “Ralph Wiggum”. Sim, o menino burro dos Simpsons.
O esquema é doentio: você bota o agente num loop infinito, sem NENHUM humano no meio, errando e tentando de novo a noite inteira até passar nos testes.
O repositório se vende dizendo que reduz o custo de software pra menos que o salário de um atendente de fast food, cravam um valor por hora e mandam ver.
É o sonho dos Illuminattis do Vale, né? Dev que não pensa, não discute, só aperta enter e paga a conta da API.
Mas sendo honesto novamente: nem quem AMA agente engole o loop puro.
O Armin Ronacher, criador do Flask, usa agente o dia todo, e mesmo ele admitiu que nesse futuro o papel dele virou o de um mensageiro, e que ele ressente isso. Até o convertido tem medo. Isso te diz alguma coisa. 😬
🐣 E quem tá começando agora, no meio desse caos?
Aqui a briga é feia:
💀 Tem gente séria como o Namanyay Goel dizendo que a IA cria programador braindead.
🚀 E gente do peso do Andrew Ng dizendo que é a melhor hora da história pra aprender.
Minha visão (que vale menos que um mijo de cachorro): começa sim, mas usa a IA como professor que te faz ENTENDER, não como muleta. Senão você vira aquele Front Enzo emocionado formado em bootcamp de pandemia que só sabe repetir jargão técnico sem entender o fundamento das coisas.
E tem o dado que ninguém no YouTube brasileiro vai te mostrar. O único estudo sério de verdade, o METR, pegou dev experiente e viu que, no início de 2025, com IA, o cara ficou 19% mais LENTO. Só que jurava que tinha ficado 20% mais rápido. 📉
E, sendo justo, porque esse canal não é de meia verdade, a própria METR voltou em 2026 e disse que, com as ferramentas melhores, esse número provavelmente melhorou. Beleza. Mas o que envelhece bem é o autoengano: o cara achando que tá voando enquanto rasteja.
🏁 Fechando a conta
Cinco escolas. Cinco gênios. Cinco “jeitos certos”. E ZERO consenso. Com os donos da escola mais séria fugindo pela porta dos fundos em seis meses.
A verdade é essa:
✈️ Não existe consenso porque a ferramenta tem 18 meses de vida. A gente tá escrevendo o manual de voo com o avião já no ar. Ninguém sabe. Nem os gênios, eles trocam de lado a cada semestre.
Então PARA DE SE COBRAR PORRA!!
Escolhe a merda da escola que te faz PRODUZIR hoje.
Mas desconfia com todas as forças de qualquer um que te venda o método dele como “o jeito certo”, inclusive de mim.
Porque em tecnologia, “o jeito certo”, quase sempre, é só o jeito de quem tá vendendo a ferramenta. 🤝💰
E lembra da frase do Karpathy, lá do começo: dá pra terceirizar o pensamento. O entendimento, não. Escolhe a escola que você quiser, mas não larga a única coisa que é só sua. 🧠
💬 Agora é com você
Me responde sincero aqui nos comentários:
🎚️ Em qual dessas cinco escolas você tá hoje?
🔄 Você já trocou de lado tipo o DHH?
📺 Se você ainda não viu, o vídeo completo com a resenha tá aqui
📡 E se você quer entender o mercado de tech sem hype e sem ninguém te empurrando curso, cola nas lives, quarta e quinta, 10 da manhã.
Tmj, forte abraço,
Mano Deyvin 🤙












A defecção do DHH e do antirez em seis meses é o dado mais importante do texto, e ele diz algo maior que "não existe consenso": convicção de engenharia agora tem meia-vida curta porque a ferramenta abaixo dela muda mais rápido que a opinião consegue assentar.
O antirez não virou a casaca, o princípio dele ("escreva o que você entende, não terceirize o entendimento") ele carregou intacto para dentro do fluxo agêntico. Ele trocou de escola sem trocar de princípio. Isso é o oposto de quem adota agente para não entender.
A pergunta que fica não é "qual escola é a certa", é "o que você se recusa a deixar de entender, rode a IA no volume que rodar". Bom mapa das cinco!
A frase do Karpathy que fica é essa: 'terceiriza o pensamento, não o entendimento.' Isso resume o que separa quem utiliza agente para escalar do que utiliza para terceirizar a própria incompetência.
No Lia OS vivo isso na prática: utilizo agente para 70–80% do código (tipo o Amp do Thorsten Ball), mas se eu não escrevo a spec com a teoria do sistema na cabeça, o negócio quebra às 3h da manhã e ninguém, nem eu, sabe por quê — exatamente o que o Naur previu em 85.
Curioso: você considera que dá para manter 'automatic programming' de verdade (crivo de qualidade, dono do código) trabalhando solo, ou isso só escala em time com revisão cruzada?