O “Dev Chinelinho” Respondeu. E o Chinelo Tá no Pé Errado.
Um CEO expôs funcionários no YouTube. Um ex-dev mandou o outro lado da história. Aqui está, sem cortes.
Na live de ontem eu reagi a um vídeo de um CEO que viralizou falando sobre o tal “dev chinelinho” aquele dev que supostamente não estuda, não entrega, usa o computador da empresa pra procurar vaga e dá atestado toda segunda-feira.
O vídeo tem quase 20 minutos de um cara se gabando de monitorar equipamento de funcionário, expondo situações pessoais de ex-colaboradores (incluindo um que pediu home office porque a filha foi agredida na escola) e repetindo “dev chinelinho”.
Depois da live, recebi um email. De alguém que diz ser um dos devs que passou por essa empresa. A pessoa vou identificar ela como LFS. Mas o que ela trouxe conta o outro lado da história.
Aqui está o direito de resposta.
O email (formatado e na íntegra)
Contexto dado pelo LFS:
Quase todos ali já eram estudantes universitários que trabalhavam o dia inteiro e estudavam à noite na faculdade.
Sobre os cursos “oferecidos”: o CEO mantinha uma tabela com senhas compartilhadas da Alura, Full Cycle e Rocketseat — e todos eram obrigados a estudar o que ele mandava, fora do horário de trabalho.
Sobre a jornada: o horário definido pelo sindicato era de 40 horas semanais, mas a empresa exigia 44 horas. O pessoal de infra ainda ficava de sobreaviso 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Sobre software: a empresa operava com todos os softwares possíveis pirateados.
Sobre o caixa: como trabalha com muita plataforma de curso duvidoso, metade do caixa estaria na irregularidade.
Sobre a localização estratégica: o remetente alega que o CEO levou a sede da empresa para perto de universidades justamente para se aproveitar de grandes talentos desesperados por uma oportunidade.
Sobre o contrato: o contrato — que o remetente descreve como “totalmente inconstitucional, pois vai contra a CLT” — estipulava que:
O dev não poderia sair antes de 2 anos da empresa.
Se saísse, pagava multa de R$ 40 mil. Imagina isso pra um recém-formado quebrado.
Além disso, o dev não poderia mais trabalhar com plataforma de vídeo ou áudio por 10 anos.
O remetente afirma que vai enviar uma cópia desse contrato, assinado pelo CEO.
E encerra dizendo: “Enfim, um milhão de coisas que eu não posso provar, mas chama qualquer ex-funcionário no LinkedIn e possivelmente vão dizer o mesmo se tiverem colhões. Mas não dê palco pra ele. Cara desonesto.”
Minha leitura
Eu não consigo confirmar nada do que está nesse email. Não vi o contrato, não auditei o caixa da empresa, não tenho como verificar as licenças de software. E é por isso que eu não vou cravar que é verdade.
Mas eu também não vou fingir que não li.
Porque quando um CEO vai pro YouTube contar história de ex-funcionário alegando monitoramento de máquina, expondo que o cara procurava vaga no LinkedIn, contando que o dev “não estudou nas férias” ele tá usando a assimetria de poder a favor dele. Ele tem o canal, tem o palco, tem a narrativa. O dev que saiu de lá não tem nada disso.
E aí aparece um cláusula de non-compete de 10 anos? Multa de 40 mil pra recém-formado? Mano, se isso for verdade, o chinelo tá no pé errado.
O cara reclama que dev não vestia a camisa. Mas com contrato assim, não é camisa é camisa de força.
Reclama que dev procurava vaga no computador da empresa. Mas se o dev não podia sair sem pagar 40 mil, o que você esperava que ele fizesse? Ficasse feliz?
Reclama que dev dava atestado na segunda. Mas o cara trabalhava 44 horas, estudava à noite na faculdade e ainda era obrigado a fazer curso fora do horário.
Existe dev ruim? Claro que existe. Existe dev que enrola, que não estuda, que engana entrevista? Demais. Eu mesmo já falei disso aqui no canal várias vezes. Isso não tá em discussão.
O que tá em discussão é um CEO usando YouTube pra lavar roupa suja de ex-funcionário enquanto, segundo quem viveu lá dentro, a casa dele também não tava arrumada.
O recado
Se você é CEO, dono de empresa, líder técnico: cuidado ao ir pro YouTube expor gente que não pode se defender. O palco é seu, o microfone é seu, a narrativa é sua. Mas a internet é de todo mundo. E às vezes o “dev chinelinho” que você expôs é alguém que tava passando por algumas dificuldades pessoas e se via num suposto contrato abusivo, trabalhando mais do que devia, estudando o que você mandava, tentando equilibrar os pratos.
E se você é o dev que passou por situação parecida: guarda tudo. Print, contrato, email, mensagem. Não pra fazer vingança. Pra ter o direito de resposta quando alguém resolver contar só o lado dele.
Esse post é um complemento da live de hoje. Se você não viu, tá no canal. E se o remetente do email realmente enviar o contrato assinado, a gente atualiza aqui.
tmj, paizão.
Ah já estama me esquecendo… o suposto CEO atacou o Lucas Montano e graças a isso o Montano liberou o cupom “CHINELINHO” no perssua para você arrumar um emprego melhor e não se submeter a uma situação como essa.
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